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Entrega

Existem historias que simplesmente não merecem um final, merecem um recomeço. Fora necessário meses longe de você, do seu sorriso, do modo que ri mesmo quando algo não foi engraçado, do seu jeito sério, de como me deixa confusa e aérea. Olhar a chuva que cai pela janela me faz pensar no quão clichê fomos um com outro, e na maneira tão fútil e errada que nos encontramos. Me fazendo repensar se todo aquilo que planejei pra minha vida, talvez não valesse a pena por alguém junto.

A musica ecoa por todo o quarto, não imagina quantas vezes a escutei pensando em você, quantas vezes chorei ao lembrar que não estava ao meu lado mais. Acredito que no final o drama faz parte da minha vida, você chegou derrubando tudo, “quebrando a porta com três pés”, fazendo a garota pé no chão e que não acreditava em que iria se apaixonar assim escutar Anavitoria e rodar a sala dançando com um sorriso de orelha a orelha. Mas no final me deixou aqui, só eu, a musica e aquele pensamento de que talvez, só talvez, você tenha gostado pelo menos metade de mim quanto ainda gosto de você.

Não existe uma razão para tudo isso, nunca existiu, a razão para que hoje, infelizmente hoje tudo doer tanto, me machucar tanto, e perceber que não importa quantas vezes eu tente sempre estou fadada a ter amar sozinha. Se entregar demais é o maior medo dessa geração, o medo de errar, de se machucar, o medo de que talvez não de certo.

Hoje eu percebo que não sirvo para a minha geração, preciso mais que beijos e conversas meia boca, preciso de olhares, teorias loucas da conspiração, filosofias, debates acalorados sobre o porque no ganache de chocolate meio amargo ficar tão melhor que o ao leite, preciso de ligação e isso você não pode me dar. Não pode se entregar, talvez nunca tenha realmente gostado de mim ou se gostou, não o suficiente pra tentar e me contento em saber que eu tentei, sem culpa, sem magoa, lutei mesmo que sozinha.

Não digo que tudo foi sua culpa, eu também estou errada, sempre soube que nada disso você me daria, mas a esperança é a ultima que morre, não é mesmo? Talvez seja por isso que todos dizem que me encaixo bem no termo “trouxa”, porque eu me entrego demais e se entregar demais hoje mesmo sabendo que nada irá receber em troca, sem duvida se tornou um erro.

Mas talvez estar errada seja a melhor opção, acreditar que possamos nos entregar verdadeiramente é talvez o sonho mais louco que já tive. Sonhar que não exista mais o medo da entrega, que não existem finais, simplesmente recomeços que tudo de bom que passou ao lado de alguém não foi se destruiu, apenas tomaram caminhou diferente. Espero que um dia encontre alguém e se entregue assim, tão verdadeiramente, mesmo que doa no final, juro, vale a pena. 

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